Maternidade real: culpa, mudanças no corpo e a busca por equilíbrio no pós-parto.
- Plástica e Forma

- 7 de mai.
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Atualizado: 20 de mai.

Queda de cabelo, cansaço e culpa também fazem parte da realidade de muitas mães no pós-gravidez.
A maternidade mudou completamente a minha vida, mas eu aprendi que ela não muda só o corpo. Ela muda a identidade, a rotina, as emoções, as prioridades e a forma como a gente se enxerga. E eu acho que muito do sofrimento das mulheres no pós-parto vem dessa busca incessante por voltar a ser quem era antes da gravidez. Só que a verdade é que a gente nunca volta exatamente para o lugar de antes — e isso não precisa ser algo ruim.
Hoje eu consigo olhar para trás e entender que o meu corpo está melhor agora do que antes da gravidez, mas não porque ele “voltou” a ser o que era. Foi porque eu precisei desenvolver disciplina, organização e um novo olhar para mim mesma. Depois que minha filha nasceu, eu tive que reorganizar completamente a minha rotina. Passei a treinar de madrugada para conseguir conciliar trabalho, maternidade, casamento e autocuidado. E foi nesse processo que percebi o quanto o pós-parto também pode ensinar força, adaptação e maturidade.
A gente vive uma pressão muito cruel para recuperar o “corpo de antes”, mas eu acredito que a pergunta deveria ser outra: “Como eu posso cuidar melhor desse corpo agora?”. O nosso corpo acabou de gerar uma vida. Ele está se reorganizando física e emocionalmente. E eu acho perigoso quando a mulher acredita que perdeu valor porque mudou fisicamente.
Também aprendi algo muito importante nesse período: pedir ajuda. Muitas vezes, as mulheres esperam que as pessoas ao redor entendam automaticamente o que elas estão sentindo, mas nem sempre isso acontece. Construir uma rede de apoio faz toda diferença. E apoio não é só alguém para segurar o bebê enquanto você dorme. Às vezes, é ter tempo para lavar o cabelo, fazer uma refeição com calma, tomar água ou conseguir treinar por alguns minutos.
Eu vejo muita gente nas redes sociais mostrando extremos da maternidade. Ou tudo parece perfeito, leve e romantizado, ou tudo parece caótico e impossível. Mas a realidade está no equilíbrio. A saúde no pós-parto não precisa ser perfeita para existir. Tem dias em que o treino não vai acontecer, a alimentação não vai ser ideal e está tudo bem. O importante é construir pequenas constâncias possíveis dentro da realidade de cada mulher.
A queda de cabelo, por exemplo, foi algo que mexeu muito comigo. Durante a gravidez, eu tive mais cabelo do que nunca. Depois do parto, tive uma queda muito intensa, com falhas visíveis. Isso mexe diretamente com a autoestima porque o cabelo também faz parte da nossa identidade feminina. O que me ajudou foi entender que meu corpo estava passando por uma reorganização hormonal e buscar ajuda médica. Fiz exames, acompanhei vitaminas e encontrei alternativas seguras para aquele momento em que eu ainda estava amamentando.
Outra coisa que eu considero essencial é falar sobre saúde mental na maternidade. Muitas mulheres sofrem em silêncio tentando sustentar a imagem de que estão felizes o tempo inteiro. Mas a maternidade pode ser cansativa, solitária e emocionalmente confusa. Existe culpa por querer trabalhar, culpa por querer treinar, culpa por precisar de um tempo sozinha. A mulher tenta dar conta de tudo e esquece que ela também precisa ser cuidada.
Eu tive um pós-parto muito organizado porque programei minha rotina, minha rede de apoio e meus horários com antecedência. Mesmo assim, foi um período intenso. Meu casamento, por exemplo, sentiu muito as mudanças da maternidade. E isso também precisa ser falado sem culpa e sem tabu.
Hoje eu entendo que autocuidado não é vaidade. Autocuidado é saúde física, emocional e mental. E quando a mulher aprende a se acolher nesse processo, ela entende que não precisa voltar a ser quem era antes. Ela pode se tornar uma versão ainda mais forte dela mesma.
Carol Borba: @carolborba1

























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